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 Quarto da Savannah

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Ryan Staminkhov Odegaard
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MensagemAssunto: Quarto da Savannah   Ter 29 Ago 2017 - 17:38


Quarto da Savannah


 
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Savannah Ward McCready
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MensagemAssunto: Re: Quarto da Savannah   Qua 13 Set 2017 - 18:33


O que colocaram na minha bebida?
Sua cabeça latejava a cada passada que dava, mas o que mais a deixava incomodada era o embrulho em seu estômago e o primo vômito aconteceu assim que chegaram no corredor do primeiro andar, antes mesmo de chegar perto da porta de seu quarto. Sempre tinha sido uma garota forte para bebidas alcoólicas, mas desde na festa que Athos estava, ela não tinha colocado nenhum tipo de bebida alcoólica nos lábios. - Eu não bebi demais, que saco! - Exclamou assim que parou de vomitar e continuou a ser arrastada para seu quarto, que graças a Merlin não era um dos últimos do corredor. O cheiro adocicado no quarto estava a fazendo fica ainda mais enjoada, o que a fez ligar o ventilador rapidamente e sentar-se em sua cama.

Permitiu que suas costas fossem de encontro o colchão e fechou os olhos, na tentativa que isso a fizesse ficar melhor. - Mãe, eu não bebia nem uma taça toda! Mas que saco! - Exclamou de olhos fechadas e deitada mesmo, pois era a pura verdade, ela estava na primeira taça de bebida e começou a passar mal, ela em outras festas já tinha bebido muito mais que aquilo e não chegou a ficar no estado que se encontrava naquele momento. Escutou a  porta bater com força e franziu a testa, sua mãe realmente estava brava, o que indicava que provavelmente ficaria surda. Sentou-se com a ordem que havia recebido e então encarou a morena mais velha nos olhos. - Então tá, eu bebi vinte taças, está bom assim? - Cansou de falar que não tinha bebido tanto e não estava com saco para ficar discutindo. - Claro, eu bebi um monte em 15 minutos de festa, isso aí! - Graniu irritada e acabou por esfregar o rosto com a palma da mão esquerda.

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Desiré Ward Odegaard
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MensagemAssunto: Re: Quarto da Savannah   Qua 13 Set 2017 - 20:18



Arrastou Savannah casa a dentro e a cada passo sentia vontade de socar a filha, mesmo sabendo que jamais faria isso. A música do lado de fora podia ser ouvida alta e clara, as luzes piscavam e ver todos se divertindo pela grande janela só despertava mais raiva, era para ser uma noite de comemorações! Era para nesse exato momento estar dançando com seu marido, mas agora se encontrava parada no meio do corredor vendo a própria filha vomitar. — E você ainda tem a cara de pau de falar que não bebeu demais. - Cruzou os braços e encostou a cabeça na parede enquanto fitava as costas da menina. — Claro, não bebeu não, imagina. - Esperou que a menina terminasse de vomitar para continuar a arrastando, só parou quando chegou no quarto.

A fitou se jogar na cama e teve que respirar fundo mais vezes do que queria. — Quantos copos você tomou? - Perguntou em um tom calmo. — E vai me dizer que você passou mal e vomitou com dois goles? Eu já disse que você não tá enganado ninguém. Mentir pra mim só vai piorar as coisas pro seu lado. - Irritou-se ao ver que a filha continuava a negar. Estava tão óbvio, como ela ainda tinha coragem de mentir? Andou até a porta do quarto e a fechou com força, estava irritada sim e queria que a menor soubesse, queria que ela tivesse plena consciência que não estava para brincadeiras. — Savannah, levanta. Eu quero que você  olhe nos meus olhos enquanto eu brigar com você. - Aguardou até que a mesma cumprisse sua ordem e então não poupou palavras. —  Eu simplesmente não acredito que você encheu a cara bem na festa de quinze anos da Aine, ainda mais depois de eu te avisar. Eu não briguei com você quando vi porque pensei que ia ser melhor se eu permitisse, eu queria deixar você aproveitar a festa tanto quanto eu. Agora olha só onde a gente está, Savannah! - A cada palavra que saia de sua boca tinha que se segurar para não falar um palavrão, não que se importasse com bons modos em um hora como aquela. — Eu não to acreditando que você tem a ousadia de brincar comigo agora. - Rodou pelo quartos algumas vezes, não conseguia se manter quieta nem mesmo se quisesse.


Sentiu o corpo esquentar, sua cabeça parecia que ia explodir e sabia que estava prestes a perder o controle. Deixou com que seu poder fluísse através de seu corpo e quando se deu conta o abajur que estava sobre a escrivaninha ao seu lado já estava pegando fogo, o ignorou e continuou com os olhos pregados nos da filha. — Eu to cansada disso, você ultrapassou todos os limites hoje! Eu só te pedi pra se comportar hoje, era só hoje mas nem isso você conseguiu fazer. Você acha que eu to brincando, né? Você vai sair de Hogwarts, vou te mandar para uma escola trouxa, quem sabe você não estude com o Athos? - Viu a filha abrir a boca para retrucar, mas a calou antes. — Cala a boca! Você vai me ouvir. - Suas chamas ainda consumiam alguns objetos do quarto, dessa vez o alvo era um quadro do outro lado da parede. — Eu to cansada desses seus joguinhos. Eu até os aturava quando você era menor, mas você já tem idade o suficiente para saber o que é certo e o que é errado. Você acha que é bonito encher a cara e ficar bêbada em uma festa da família? Implicar com seu padrasto? Maltratar seu irmão que é uma criança! - Deu ênfase na palavra “crianças”. Estava irada e não tinha noção das coisas que saiam de sua boca. — Ou até mesmo fugir durante a noite? Ah é, eu sei disso, Savannah. Eu cansei dessas suas infantilidades, agora você vai colher o que você plantou.




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Savannah Ward McCready
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MensagemAssunto: Re: Quarto da Savannah   Qui 14 Set 2017 - 12:58


Madre, escúchame, por favor.
Enquanto escutava a bronca, seu estômago ainda reclamava, o que a deixava ainda pior, pois pela primeira vez na vida não tinha bebido muito, já havia ficado realmente bêbada uma vez, mas nesse dia dormiu na casa de uma amiga e só voltou para a sua no outro dia. - Eu não enchi a cara, mas que inferno!! A senhora parece que está surda, minha mãe! - Ela também já estava mais que irritada com a acusação da sua mãe sobre ter bebido demais, sendo que não tinha feito isso. - Eu não estou brincando! - Falou semicerrando os olhos e levou a  mão na boca ao sentir vontade de colocar mais coisa para fora, ficar mais irritada do que já estava, fazia com que ela quisesse vomitar mais.

Arregalou os olhos ao ver o seu abajur pegar fogo e encarou a mulher assustada, pois não queria virar churrasco. Ela estava seguindo sim o que a mãe havia pedido, estava bebendo pouco e se divertindo, mas diante de tantas coisas que aprontava era normal que a mais velha não acreditasse no que falava. Não se importou muito ao escutar que sairia de Hogwarts, afinal, tinham outras escolas bruxas que podia frequentar sem problema algum. Tudo mudou ao escutar que iria para uma escola trouxa e ainda mais a escola que Athos frequentava. Apesar do garoto ser dois anos mais velho que ela e ter 17, ele havia repetido duas vezes o primeiro ano do ensino médio. Não, isso não, ela aceitaria ir para qualquer colégio, mas ter que enfrentar o garoto todos os dias seria terrível, não suportava nem de se lembrar dele. Abriu a boca para pedir que não fosse aquela escola, mas sim qualquer outra, porém não conseguiu falar nada, pois a morena parecia que iria lhe bater qualquer hora, não tinha visto a mãe tão brava desde os 10 anos. Encolheu os ombros e seus olhos já estavam marejados, não era de chorar, não gostava que as pessoas a vissem chorando, mas não estava mais conseguindo controlar tudo que carregava escondido a mais de sete chaves, ela não tinha contado o ocorrido para ninguém a sua volta. Ela estava com medo de o quarto todo pegar fogo, uma vez quando menor tinha feito isso ao ficar muito brava, mas hoje tinha certeza que não era ela a causadora do fogo.

Escutou novamente a parte de ter ficado bêbada e bufou se segurando para não interromper a mais velha. Desviou o olhar ao ouvir o nome do padrasto e das coisas que fazia com Pierre. Mordeu levemente o lábio inferior ao escutar que ela sabia das suas escapadas noturnas e voltou a se deitar, estava começando a ver tudo preto. - Eu acho que vou desmaiar, não estou bem mesmo. - Sua voz era diferente, dava para a outra morena entender que ela não estava fazendo drama ou era brincadeira. - Tem alguma coisa errada com meu corpo, eu nunca fiquei assim. - Desiré podia estar com raiva, mas toda mãe conhece os filhos, sabem muito bem quando estão fazendo drama, birra, mentindo ou falando a verdade e a menina dependia que a mãe mesmo com raiva escutasse a verdade em sua voz. Porém a ira no corpo da outra parecia não deixar que ela notasse isso, então Savannah teve que recorrer a uma coisa que sabia que faria sua mãe perceber a gravidade das coisas, a menina só usava esse idioma quando não estava bem mesmo ou queria contar algum segredo muito importante. - Madre, no estoy bien. - Sentiu o estômago revirar de novo e não pretendia sujar a cama, tentaria não sujar. - No estoy bromeando, tiene algo mal. -  Falou enquanto se arrastava para colocar a cabeça para fora, pois não conseguiria correr até o banheiro mesmo e vomitou de novo.

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MensagemAssunto: Re: Quarto da Savannah   Qui 14 Set 2017 - 21:33



Continuou gritando com a filha, dessa vez não teve medo de ser ouvida já que os cômodos eram enfeitiçados com um feitiço anti ruídos. Ignorou completamente o fogo que ainda consumia os objetos do quarto, tentou controlá-lo a medida que ia perdendo a paciência, não queria que ele se espalha-se pelo restante do quarto, mas sabia que se o conte-se seria muito pior. Mordeu a ponta da língua para não xingar a menina que havia se jogado novamente na cama, revirou os olhos e fechou o punho. —  Bem feito! Ninguém mandou se entupir de álcool. - Estava em um conflito interno entre continuar com a bronca ou ajudá-la, sabia que a filha estava mal de verdade. Amaldiçoou seu instinto materno e seu lado protetor. — Claro que tem algo de errado, o nome disso é ressaca, creio que você deve conhecer muito bem. - Reclamou. Sua mente estava um turbilhão de confusão, não sabia ao certo o que falar ou o que dizer, tinha vontade de bater em Savannah e ao mesmo tempo cuidar dela.


Sabia que não era nenhum exemplo de mãe ou a melhor pessoa para Savannah. Mas desde que a filha tinha ido morar consigo estava se esforçando para ser a pessoa que ela precisava. Entendia a falta que o pai fazia para ela e o quanto ela o amava, mas não entendia o motivo dela fazer o que fazia. O comportamento rebelde, as insubordinações, as fugas a noite, simplesmente não sabia mais o que fazer para que a menina entendesse que era sua aliada e não sua inimiga. Parou de andar pelo quarto e sentiu a raiva diminuir um pouco quando ouviu o idioma que era tão familiar para si. Calou-se e andou até a menina, ajoelhou na cama para se aproximar da filha mas sentiu o corpo paralisar. Engoliu a bile que estava em sua garganta e olhou fixamente para a menina. Dissipou as chamas e então o quarto caiu no mais profundo silêncio.


Fechou os olhos e assumiu a forma animaga, aproximou o focinho da menina e sentiu a cama remexer, rosnou até que ela entendesse que era para ficar quieta e grudou o ouvido na barriga da mais nova. Arregalou os olhos e deu passos para trás assustada, até que estivesse fora da cama. Voltou para a forma humana e permaneceu no chão, arrastou-se para longe da cama e sentiu lágrimas brotarem em seus olhos, os fechou rapidamente e levou a mão até o próprio ventre. O silêncio era tão grande que conseguia ouvir o som das batidas de seu coração, dos de Savannah e as batidas rápidas do coração de uma terceira pessoa. Estava grávida, mas tinha absoluta certeza que aquele terceiro coração não era do bebê que carregava em seu ventre, afinal era impossível, não tinha completado nem um mês de gestação ainda. Aquilo significava que o som não podia vir de seu ventre, mas sim do da filha. — Quando? - Não teve forças para terminar a pergunta. Balançou a cabeça algumas vezes em negação. — Não. Não. Não pode ser. - Fechou os olhos novamente, sentia o corpo tremer e teve a impressão que sua pressão estava caindo. — Eu vou perguntar uma vez. - Fitou-a no fundo das orbes. — De quem é esse bebê? - Deixou as lágrimas rolarem livre pelo seu rosto, mas manteve a voz séria. — Eu ouço Savannah, eu ouço as batidas do coração na sua barriga. - Passou a mão pela testa até que chegasse em seu cabelo e puxou alguns fios. — Eu estou grávida, Savannah. Mas as batidas desse coração não são do meu filho. Elas vem de você, então quando? Por quê? O que eu fiz pra você? Por que você está fazendo isso comigo? - Com a visão turva pelas lágrimas continuou fitando o rosto da filha. Apoiou as duas mãos no chão, sentia a cabeça doer e sabia que a pressão estava caindo.

Estremeceu apenas com o pensamento de que sua menina estava grávida. Era sua garotinha ali, bem na sua frente, passando mal e pelo que estava entendo, grávida. Savannah não tinha nem quinze anos e estava grávida. Era uma mãe tão péssima assim? Onde tinha errado? Pensou que a quatorze anos atrás, quando deixara a filha com o pai. Aquela tinha sido a decisão mais difícil de sua vida, amou Savannah desde o momento em que soube que estava grávida dela, mas na época já era membro da Ordem de Merlim e não iria envolver de jeito nenhum a vida de sua pequena na confusão que era a sua própria vida. Por isso, junto com o pai da menina decidiram que o melhor para ela era ficar com ele. Nunca deixou de acompanhar o crescimento dela, mesmo de longe sempre que podia aparecia em sua forma animaga e ficava a observando durantes horas. Não tirava sua culpa do cartório, mas simplesmente preferia morrer do que ver a filha se machucando por sua causa, por causa de seu trabalho secreto.


Viu o chão perto de onde estava sentada começar a pegar fogo. Dessa vez o motivo das chamas não era raiva, e sim angústia, desespero e acima de tudo, medo. Apertou ainda mais a mão em seu ventre e continuou soluçando. Sabia que aquele furacão de sentimentos e sensações podia fazer mal para seu bebê, mas não conseguia parar, as lágrimas simplesmente rolavam pelo seu rosto e não tinha reação nenhuma. Não sabia o que fazer. Em que momento havia perdido o controle das coisas? O que tinha feito de tão errado para aquilo estar acontecendo? Não sabia mais o que dizer, ouviu Savannah chorar e nem forçar para se levantar tinha. Seu corpo estava mole e começou a acreditar que a menor realmente não tinha bebido, pois estava sentindo as mesma sensações que ela. Então ficou ali, jogada em meio ao seu próprio elemento.




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Última edição por Desiré Ward Odegaard em Qui 14 Set 2017 - 23:47, editado 1 vez(es)
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Savannah Ward McCready
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MensagemAssunto: Re: Quarto da Savannah   Qui 14 Set 2017 - 23:31


Madre, mi vida está arruinada.
Finalmente tinha conseguido fazer com que sua mãe a escutasse e não demorou muito para que o fogo que pegava alguns objetos do quarto fosse cessado e a mais velha se aproximasse do corpo dela. Não entendeu o porque dela ficar tão próximo daquele jeito mas ficou imóvel na cama a olhando com atenção, mas não demorou muito para que se mexesse ao ver a mulher mudar de forma, fazendo com que ela quisesse se afastar dela. Escutou o rosnado e parou de se mexer, permitindo a aproximação da mãe em sua forma animal, deixando que ela grudasse as orelhas pontudas em sua barriga. Seu olhar estava fixo no da outra e não entendeu ao ver a reação da mesma, pois não tinha feito nada para assustá-la. Não entendeu porque ela saiu da cama tão rápido e muito menos o modo que era olhada, estava ficando cada vez mais confusa. Viu os olhos da outra marejaram e se sentou preocupada, estava ficando angustiada ao vê-la daquela forma, nunca tinha visto ela assim. - Quando? Quando o que? - Perguntou em dúvida, não entendeu nada da pergunta.  “Não? Não o que?” Pensou tentando entender a cada segundo ficava mais e mais confusa. Seus olhos ainda se mantinham firme na que estava no chão e ao escutar a pergunta semicerrou os olhos. - Como? Que bebê? - perguntou arregalando os olhos assustada com a pergunta que recebeu. - Que batidas? Minha barriga? - Seu coração foi a mil, não, não podia ser. - Mas.. Mas.. Mas eu sempre tomei cuidado, não pode ser, não, não, está enganada! - Falou desesperada e sentiu os próprios olhos marejaram. “Não, não pode ser, ela está enganada, eu não posso ser mãe. Tenho só quatorze anos, vou fazer quinze,  isso não importa, eu não fiz sexo sem camisinha, isso não está acontecendo!” Pensou levando as mãos na cabeça e depois inclinou a cabeça para frente, apoiando a testa em seus joelhos. - Não, não estão saindo de mim, não pode estar acontecendo isso, não pode, eu sempre tomei cuidado! - Falou desesperada e negou, não podia acreditar que aquilo era verdade. Ergueu a cabeça já com as lágrimas escorrendo, não sabia o que responder, pois a mulher queria respostas que estavam entaladas em sua garganta a muito tempo, mas não tinham nada a ver com as tais batidas que ela dizia sair do ventre da menor.

Sua cabeça começou a vasculhar a onde poderia ter errado, alguma festa ou saída que pudesse ter ficado com algum garoto e não ter se prevenido, porém isso não tinha acontecido, aos doze anos sua mãe conversou consigo sobre se prevenir não só para não ter filhos, mas também por causa de doenças, e por tal motivo ela era super cuidadosa com seu corpo. Ela negava  com a cabeça se recusando em acreditar que estava grávida. - Mas eu não fiquei com ninguém desde que aquil.. - Comentou baixo consigo mesma sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto e então a ficha caiu, fazendo com que ela se desesperasse, não, ela não podia estar grávida daquele monstro, monstro que era seu amigo de infância. Sentiu vontade de vomitar mais ainda, pois acabou se lembrando do corpo daquele garoto sobre si enquanto ela tentava empurrá-lo para longe sem sucesso. Parecia que estava acontecendo novamente, pois a imagem parecia passar em sua mente, o medo os pedidos por ajudas tinham sido falhos e ele abusou dela sem pena alguma, mesmo a conhecendo desde os dez anos. Ele era o menino que ela mais gostava, era seu melhor amigo masculino e foi ele que a fez perder a confiança em garotos, foi ele que a fez ter medo de ficar na presença de qualquer um desde um mês atrás, fez com que ela tivesse altos pesadelos de acordar a noite sem ar desesperada achando que tinha alguém sobre seu corpo. Levou a mão direita até os lábios que estavam salgados por causa das lágrimas e a esquerda foi posta em seu ventre, não podia ser, ela não queria aquilo dentro de si, não vindo daquele menino e do jeito que foi feito. Não tinha sido feitio que nem ela e nem Pierre, não tinha sido feito através de um ato de amor entre duas pessoas, mas sim por causa de um desejo de um monstro sobre um corpo, ele não perguntou se ela queria ficar com ela, ele apenas a estuprou sem dó e nem piedade, mesmo ela implorando para que ele não fizesse. Tá que não era mais virgem quando o ato aconteceu, mas isso não queria dizer que algo não foi tirado de si a força.  

Encarou a mãe que continuava no chão, pensava no que a mais velha sentiu quando descobriu que estava grávida de si. Será que ela lhe queria mesmo? Porque tinha lhe deixado com o pai? Geralmente o primeiro filho feito com amor as mães querem ver dar os primeiros passo, andar, falar, mas não foi isso que tinha acontecido com ela, pois quando tinha um mês de vida a mulher foi embora de sua vida e a largado com o pai. Até os dias atuais Savannah não entendia o porquê de tal decisão, sabia que tinha sido por causa do trabalho, mas dinheiro era mais importante que um filho? Era isso que a menina não entendia. Fora a inveja que sentia de Pierre, que desde bebê teve a mãe ao lado, lhe dando carinho e atenção, enquanto ela nunca escutou em um pesadelo que a mãe estaria ali para lhe proteger, nunca dormiu na cama da mesma, ao cair e se ralar nunca escutou que com um beijo a dor iria passar. Negou novamente com a cabeça, sempre sentiu que só estava na mansão do pai de Pierre porque não tinha com quem ficar, pois o pai havia morrido, se sentia um peso que a mulher carregava por obrigação, não por gostar de si. Sua visão estava embaçada por causa das lágrimas que não paravam de escorrer, viu o fogo tomar conta do chão, mas não teve reação, estava em choque com o tanto de perguntas que surgiam em sua mente. Não tinha apenas estragado a própria vida pelo visto, estragou a da mais velha também e não tinha que colocar a culpa em ninguém, a culpa era somente sua por causa das escolhas que tinha feito.

O choro só aumentou, vindo seguidos de gritos angustiantes, gritos que ela tinha guardado desde dia do abuso, do dia que ficou com nojo de seu próprio corpo. Não estava se preocupando se alguém iria escutar eles ou não, era mais forte que elas, era um grito de socorro, de medo, todo o medo que passou naquela noite que tinha ido a festa na casa da amiga só para se divertir e agora por conta daquilo sua vida estava arruinada. Suas mãos estavam frias  e seu corpo tremia por causa de tudo que sentia, estava com vergonha de estar na frente da mãe daquela maneira, estava fraca, não podia contar como havia ficado grávida, não tinha sido uma escolha sua. Gritou não só uma ou duas vez alto, mas muito mais que isso, um grito de angústia, gritou até sentir a garganta doer e não ter mais forças para fazer isso. Deixou o corpo ir de encontro ao colchão,s e deitou e encolheu-se, puxando o ursinho pra perto de si e o abraçando com força. Era o urso que o pai disse que a mãe havia dado quando ela resolveu partir e era o único que ficava na cama jovem desde pequenina. Abraçou o mesmo com força e ficou olhando a parede com um olhar vago. As lágrimas escorriam e os soluços não paravam. Estava em choque, choque de saber que estava grávida, choque de lembrar o abuso que sofreu, choque de que sua vida estava arruinada.


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